sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A cor dos meus pensamentos.



São laranja, rosa, vermelho. São pretos, castanhos, bordeaux, cinzentos. Quero que os meus pensamentos coloridos e menos coloridos, moldados pelo tempo e pela experiência, saiam do meu corpo. Tenho medo de mim própria. Os meus pensamentos são tão confusos que não consigo organizá-los de uma forma coerente e satisfatória. Nunca satisfatória. Os meus pensamentos são tão abstractos, tão feitos de nada, alguma coisa no ar apenas. Não são compostos por palavras, mas sim por imagens, o que por vezes me inabilita de me ouvir a mim própria, ou até mesmo ter um diálogo comigo mesma. O que escrevo, o que falo, o que faço, vem directamente de imagens, apenas e só imagens, do que penso que falo comigo mesma. Gosto de ouvir outras pessoas e gosto de fazer perguntas acerca de como pensar, mesmo quando não quero que a minha forma de pensar seja especificamente aquela, ou mesmo quando aquele pensamento já viveu e viveu na grande sala que é a minha mente, porque consigo ouvir as outras pessoas por palavras, palavras concretas, palavras quase palpáveis.

Estes pensamentos, estes pensamentos que acabei de escrever acerca dos meus pensamentos, não me abandonam, nunca irei ver-me livre deles. Acumulam-se como camadas de pó coloridas, embaciando assim a cor viva de que são feitas as paredes dos quartos do meu corpo e da minha mente. Eu penso sobre ser, sobre fazer, sobre sentir, sobre agir. Eu penso sobre pensar.

Mas eu só quero ser. Não quero mais este estado mental, nem os futuros estados mentais que nunca consigo prever. Não quero preocupar-me, não quero trabalhar, não quero procrastinar, não quero estudar, não quero aprender, não quero pensar, não quero sentir, não quero viver com a intensidade com que sempre vivo. Não quero ser feliz, nem infeliz, não quero estar alegre nem tampouco triste. Eu só quero existir. Hoje, só hoje, eu quero meramente existir. Esta vida destituída de qualquer significado. Esta vida cheia de pequenas coisas, aleatórias, inimportantes, pelas quais passamos sem nunca reparar, estas coisas às quais insisto em dar um significado inventado. 

Hoje quero apenas sentir o absurdo da vida, esperar que esteja presente esta coisa que se ausenta tanto, esta coisa que está sempre ausente, o que torna ainda maior a sua presença. Está presente porque é feito de ausência. É um buraco negro cheio de nada. É um absurdo.

Sei que só tenho de mudar a minha forma de pensar, e o facto de pensar tanto.

1 comentário:

Marga disse...

já tinha saudades de ler coisas escritas por ti :)