quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Principezinho II - O essencial é invisível para os olhos...

(…) tenho boas razões para pensar que o planeta de onde o principezinho tinha vindo era o asteróide B 612. Este asteróide foi visto ao telescópio uma única vez, em 1909, por um astrónomo turco. Nessa altura, o cientista fez uma grande demonstração da descoberta a um Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém o levou a sério por causa da maneira como estava vestido. As pessoas crescidas são assim. Felizmente, para boa reputação do asteróide B 612, um ditador turco lembrou-se de impor ao seu povo, mas impor-lhe sob pena de morte, que passasse a trajar à ocidental. O astrónomo tornou a fazer a demonstração em 1920, agora muito bem posto. E toda a gente a aceitou.




Se vos contei isto tudo sobre o asteróide B 612 e se vos confiei o número dele foi por causa das pessoas crescidas. As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falam de um amigo novo, nunca perguntam nada de essencial. Nunca perguntam “como é a voz dele? A que é que ele gosta mais de brincar? Faz colecção de borboletas?”. Em vez disso, perguntam: “que idade tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?”. Só então julgam ficar a saber quem é o vosso amigo. Se contarem às pessoas crescidas: “hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado…”, as pessoas crescidas não conseguem imaginá-la. Precisam de lhes dizer: “Hoje vi uma casa que custou cem mil contos”. Então já são capazes de a admirar: “Mas que linda casa”.

Por isso, se lhes disserem “A prova de que o principezinho existiu é que ele era encantador, é que ele se ria e queria uma ovelha. Querer uma ovelha é a prova de que se existe”, as pessoas crescidas encolhem os ombros e aconselham-vos a não serem tão crianças. Mas se lhes disserem: “O planeta donde ele vinha era o asteróide B 612”, as pessoas crescidas ficam logo convencidas e não fazem mais perguntas. As pessoas crescidas são mesmo assim. Não vale a pena zangarmo-nos com elas. As crianças têm de ser muito indulgentes para as pessoas crescidas.

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