terça-feira, 19 de março de 2013

Everything in its right place (and how it should be)

O mundo não pára, e as horas não deixam de passar. Um dia é sempre tão longo em toda a sua infinidade de tempo, é o tempo que o tempo tem, que é todo o tempo do mundo, mas tão efémero, como se os dias estivessem a correr atrás uns dos outros, como se o hoje tivesse pressa de passar para ser amanhã, porque amanhãs haverá sempre, os amanhãs são o nosso infinito indefinido.

Hoje aprendi a nunca dar nada como certo ou garantido. Que as coisas vão e vêm, mesmo quando acreditámos, com todas as nossas forças, com toda a nossa fé, que elas tinham vindo para ficar. Aprendi que a vida é feita de coisas dicotómicas: de quente ou de frio, de presença ou de ausência, de luz ou de escuridão, e que precisamos experienciar um dos pólos para dar valor ao outro. Que depois de uma página virada, há sempre uma página nova por virar, e sempre algo de novo para viver e aprender. Que depois dos encontros, vêm sempre as despedidas; que depois das chegadas, vêm sempre as partidas. E que nem sempre uma fase de inconstabilidade constante, de mudanças intensas e avassaladores tenham de significar algo de negativo; pelo contrário estas têm-me trazido experiências, oportunidades, modos diferentes de olhar para, estar e viver a vida, têm-me aberto portas que nunca pensei nem sequer considerei abrir. Mudanças que me fazem ser feliz ou que me fazem sofrer, mas que, acima de tudo, me fazem saber que se sinto as coisas desta forma, é porque estou viva. Têm colocado em causa questões profundas relacionadas com a minha forma de estar na vida, e o que, afinal, quero dela, diria mesmo que tenho revisto muitas e muitas vezes o meu auto-conceito e mexido muito com emoções complicadas, mas que fazem falta, e que é preciso, trabalhar nelas, lidar com elas, aprender a viver com elas, quase como que tratá-las por tu. Têm-me feito viver intensamente, e ao mesmo tempo reflectir no significado de tudo o que me rodeia, têm-me ajudado a confrontar-me comigo própria, aconhecer-me e a escutar-me a mim mesma cada vez melhor.
Aos poucos, sinto-me a libertar-me de mim mesma ao perceber que, afinal, não tenho qualquer obrigação para quem quer que seja sem ser eu mesma, sem ser ir atrás do que quero, do que me chama, daquilo em que acredito; aos poucos vou-me libertando da constante sensação que por vezes me invade, de ter de corresponder a expectativas alheias, de manter uma determinada imagem ou até mesmo de esconder coisas que gosto de fazer, porque são socialmente desaprovadas. Ou de tentar fazer gostar de mim, quem não gosta de mim.


Vou-me libertando, porque me apercebo de que sou tudo, que posso ser tudo, que quero ser tudo, e que tenho potencial para ser tudo. E que quero viver tudo e ainda um pouco mais. E que vou sempre querer mais além daquilo que está no meu campo de visão, ao meu alcance. Sei que o meu alcance nunca vai parar de alcançar algo mais, ou de querer que assim seja. E que nada disto é algum crime, ou algum pecado, que tudo isso me é perfeitamente legítimo e que estou no meu direito de usufruir da minha vida da forma que quero e que acho ser a correcta para mim.


Nunca quero deixar de crescer, é demasiado maravilhoso. Não quero mais cair no erro de dizer que já passei por tantas mudanças, que agora tudo vai estagnar. Apercebi-me de que nunca há, realmente, uma forma de prever ou controlar as mudanças que nos trás o destino. O que determina o curso da nossa vida, isso sim, é a forma como lidamos com essas mudanças, como nos adaptamos, se sabemos ver as oportunidades que se escondem por detrás dessas mudanças, para sempre ser uma pessoa melhor do que a que éramos ontem.


Não sou fatalista nem acho que estejamos pre-destinados a algo específico. Mas sei que o Universo tem a sua forma de organizar as coisas. De organizar todos os segundos que passam e todos os significados associados, destinos, e consequências possíveis resultantes de cada um desses segundos. Acredito que tudo acaba por acontecer por uma razão, numa certa ordem, e que geralmente, as coisas acontecem para um bem maior e melhor, mesmo quando, no momento, não nos pareça que sejam boas, mais tarde acabamos por nos aperceber que foi o melhor que podia ter acontecido. Estou mais do que grata por ter tido oportunidade e acesso a pessoas, coisas, situações, circunstâncias de vida, experiências, que tanto me fizeram crescer, que tanto me ensinaram a olhar melhor para dentro e para fora, que me ensinaram a saber identificar uma oportunidade de progredir quando a vejo à minha frente. Mesmo quando as coisas acabam, mudam ou recomeçam, é sempre importante sentir-me previligiada por ter tido oportunidade de o viver, e lembrar-me de que há sempre, sempre, um novo amanhã, e um novo nascer-do-sol. E vai sempre, sempre, ficar tudo bem, onde devia e como devia estar.


(In the end), Everything is in its Right Place.

E eu, estou tão, tão, tão satisfeita comigo mesma por estar a sentir-me a crescer por dentro, de uma forma que quase se manifesta fisicamente

1 comentário:

→ Calipso disse...

Mais um post fascinante *.*