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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

As dores da minha existência #5



A alegria de ver cada dia
Começar e acabar.
De sentir o tempo a entranhar-se, a dissipar-se.
E ficar feliz.
E ficar triste.
O contentamento de ver essa estranha matéria que é o tempo,
a fazer parte de si mesmo
e a desintegrar-se de si mesmo.
A alegria de vivenciar os ciclos que iniciam e terminam.
(Ou não. Talvez seja tudo o mesmo ciclo)
Quanto mais tempo vou ver passar?
Quantos mais dias vou ter a alegria de ver nascer 
E o contentamento de ver morrer?
Quantos mais ciclos irei percorrer?
Quantos mais sóis irão andar em espiral sob mim?
Para essa questão, nem mesmo o tempo tem resposta.





domingo, 16 de agosto de 2015

As dores da minha existência #4

Da dualidade.
Do contraste gritante.

O desassossego, a inquietação, a insatisfação, a exaltação, a busca constante por sensações fortes, tentando prolongar o prazo de validade da vida.

Ou a resignação. A aceitação apática face à inutilidade de entrega total a essas sensações.
Uma resignação apática mas, de certa forma, de todas as formas até, feliz. 

A estrutura, o querer arrumar, delinear, organizar, racionalizar, ter em ordem e sob controlo.

Ou a liberdade. A fuga ao que é padronizado, a tudo o que é convencionalismo, estático e fechado a realidades alternativas.



- "és uma pessoa de extremos
- mas equilibrada q.b.".

domingo, 9 de agosto de 2015

As dores da minha existência #3


Quero arrumar as minhas experiências e estados emocionais (e existenciais) em pequenas gavetas numa cómoda, arrumados, limpos, em ordem. Que possa eu abri-los e fechá-los a meu bel-prazer. Mas já aceitei a realidade inalienável e inerente às sensações, de que estas são compostas por uma complexidade que foge a si mesma, que flui demasiado e que se desliza por entre as frestas do pensamento. Não dá para colocá-los em caixas.

Estrutura. Preciso de estrutura.

Liberdade. Preciso de liberdade.
(sobretudo de mim mesma).


- "até tu de vez em quando te enlouqueces a ti própria!"

segunda-feira, 27 de julho de 2015

As dores da minha existência #2

Tudo é em vão, e nada é em vão.

Já por dois momentos (determinantes) na minha vida me disseram que não sou uma pessoa kármica. Que sou livre de rancores, raivas, ressentimentos. Que tenho uma alma jovem e que pouco sofreu. Apesar de algumas revoltas que em mim residem, mas que não me tiram o sono.

Mas não sou livre de dores e questionamentos. Escrevo sobre a existência para fazer algum sentido dela porque no fundo sei que assa mesma existência é uma coisa vã.

Mas não o é.

O facto de ser e não o ser ao mesmo tempo é a minha grande dor de existência.

Mas é uma dor tranquila, uma dor pacífica, uma dor que, também ela, não o é. Pois já aceitei a frivolidade da dor, da existência, do ser, de mim, do mundo e de tudo. E de nada.


As dores da minha existência #1

A unicidade da existência é uma falácia sem início nem fim.

Sem início porque nada tem um fim para se iniciar de novo. Os ciclos que começam e acabam, são só ciclos que se repetem em si mesmos, dizemos que começam e acabam para não dizer que o ponto inicial e o ponto final, na realidade, apenas se emergem um no outro.

Tal como as vivências; acreditamos que cada uma é diferente, distinta, única -  mas todas as vivências são diferentes, distintas e únicas, pelo que nenhuma o é, verdadeiramente.

E como seria, se fosse? Como seria se um de nós, e apenas um - de outro modo deixaria de satisfazer o propósito deste cenário hipotético - fosse tão distinto de todos os outros, que nem mesmo a sua distintividade o tornasse apenas em mais um, igual e repetido, como todos os restantes da sua espécie?

Seria uma bênção? Seria um fardo?

Seria tão doloroso ser-se diferente como o é ser-se igual?


 Sejamos diferentes, sejamos inovadores, queiramos ser intensamente como nunca ninguém foi ou alguma vez será. Mas tenhamos sempre presente que nada disso é real... que todas as existências são insignificantes em si mesmas. E por isso são todas diferentes. E por isso são todas iguais.