sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Capacidade de Adaptação.
A qualquer lugar, situação, pessoas
que nos rodeiam, a capacidade de adaptação é sempre uma virtude a
cultivar, e que eu sempre tento cultivar em mim. Mesmo quando penso
para mim mesma “quero tanto sair daqui” mas por alguma razão
tenho de ficar, então visto a pele da adaptação. Tolero, sou
paciente, sei aceitar, compreender, mesmo que uma situação ou
atitude ou conversa não me agrade particularmente. Muitos podem
dizer que sou falsa. Whatever, é que às vezes sou mesmo. E daí? Já
percebi que 80% das porcarias com as quais tenho de me deparar no
mundo real e na vida normal, são coisas que não me vão agradar,
mas que tenho de fingir que me agradam, por uma questão de adaptação
e sobrevivência. Acho um mito essa conversa do “fazer só o que se
gosta” e “apenas estar com as pessoas de quem se gosta”. É
mentira! Muitas vezes temos de fazer coisas que não gostamos e
aturar pessoas que gostamos ainda menos. E por ter percebido isto,
percebi que por vezes tenho de ser falsa; que nem sempre posso ser
fiel a mim mesma, ouvir o meu instinto e simplesmente sair, ir
embora, que às vezes tenho mesmo de contrariar isso e ficar lá. Não
porque eu seja uma pessoa muito exigente (se bem que com o tempo
tenho ficado cada vez mais, especialmente com as pessoas, e adoptado
o ditado “antes só que mal acompanhada”), mas porque é necessário
para sobrevivência. Daí que eu ache que a capacidade de adaptação
é um valor muito importante a praticar. É sempre uma mais-valia e
sempre me tem valido de muito. O que também tem o seu lado positivo:
quanto não se aprende, quanto não se cresce, quanto não se
surpreende, ao fazer coisas, adoptar certos comportamentos porque a
situação assim o exige, ou forçar a barra com uma conversa com uma
pessoa que não nos interessa? Quanto eu já não me deparei com
pessoas que, afinal, me surpreenderam, porque fui paciente e
tolerante e acabei por perceber que também elas, têm algo a
ensinar-me. Quantas vezes, em culturas diferentes e pessoas tão
diferentes que chocavam entre si, eu não retirei o que de melhor
essa situação tinha para me dar, em vez de ficar só a queixar-me;
sendo tolerante e retirando apenas aquilo que me interessava, ou o que
achava que era melhor para mim naquele momento, cultivando a
paciência e a capacidade de adaptação. Nunca me esqueço que,
apesar de ter as minhas próprias ideias, sólidas e firmes, sou um
ser em construção e ainda tenho muito que aprender. Descobri que
forçar-nos a viver coisas que não queremos, que não nos agrada,
pode ser uma fonte preciosa de aprendizagem e descoberta.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O que de melhor temos para oferecer aos
outros é afecção, amor, carinho, positivismo, cooperação, presença... não
dinheiro ou bens materiais, mas sim apenas uma atenção... um
pequeno sorriso de cumplicidade, um grande abraço, uma mensagem a perguntar se está tudo bem, faz a felicidade
de muita gente! São os gestos mais pequenos e simples que têm mais significado... às pessoas que realmente interessam para nós! Muitas vezes faz a minha felicidade, que simplesmente se lembrem de mim! Sempre temos de nos dar por inteiro, o que de melhor temos em nós... nunca esquecer
que apenas recebemos dos outros, aquilo que cultivamos neles.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Experiências que mudaram a minha vida #5
Powerful.
Everyone could follow me, I have an
ocean made of lights on my feet, I have someone offering me a
cigarette on my mouth while I sit on the edge of the bed and write in
this uncontrolled and mad manner. The text is small, but the meaning
is profound, and the letters are big, and insane. He’s saying I
must be writing the next bible.
“We are in a palace and we are god”.
Powerful.
I feel like I own every piece of
knowledge. But its not a word-kind of knowledge, it’s a body-kind
of knowlegde. Like I have that knowledge craved in my body, I know
all the answers to all the questions in the world, in my body. It’s
a wonderful feeling.
And also the emotions. They’re all in
me, I possess them all and I can rule when to feel what, so I have a
power.
-- // --
Lasers with warmth.
Rainbows in the shadows.
I keep thinking to myself, normal people on normal vacation must not feel like this.
Hunger. Tireness.
One half of the room is red but the other one is blue.
I can change the color of the room just by turning my head.
I think that’s what I meant when I said I had a power.
My body levitates.
The chandeleer is made out of lava, in different colors swiming along the bright red.
Rainbows in the shadows.
I keep thinking to myself, normal people on normal vacation must not feel like this.
Hunger. Tireness.
One half of the room is red but the other one is blue.
I can change the color of the room just by turning my head.
I think that’s what I meant when I said I had a power.
My body levitates.
The chandeleer is made out of lava, in different colors swiming along the bright red.
Janeiro 2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
Não consigo viver sem emoções
fortes. Fazem-me falta aquela profundidade, intensidade, drama,
tragédia que caracterizam a forma como vivo as coisas: sempre no
limite, sempre num auge, sempre por inteiro e nunca a metade. Gosto
de fazer das coisas pequenas, grandes. Das pequenas conquistas,
grandes ganhos; de pequenos percalços, grandes tragédias. Se é
para chorar e sofrer, é para fazê-lo com alma!... é para fazê-lo
até que me apeteça vomitar, até não haver mais lágrimas nem mais
voz para gritar. Se é para estar furiosa e com raiva e a explodir,
que seja para bater todas as portas e partir todos os pratos da casa.
Se é para sorrir, que seja com um sorriso aberto, sincero e genuíno,
de quem se sente verdadeiramente abençoada pelas coisas mais
pequenas do dia-a-dia, e torná-las grandes e especiais! Se é para
rir, que seja rir a bandeiras despregadas, que dê vontade de dançar,
festejar e celebrar a vida, que seja para rir de tanta alegria e
felicidade que explode no coração, que quase faz chorar!
Não saberia eu viver de outra forma...
sem o drama e a tragédia que dá aquele toque de filme ou novela que
dou à minha vida. Sem me entregar por completo, sem arriscar tudo o
que tenho e o que não tenho, sem colocar o meu CD favorito e a
cantar em altos berros sozinha no carro, sem acordar com música
clássica como despertador, sem estar a levantar voo com um belíssimo
nascer-do-sol e ouvir música que me invade a alma de emoção. Sem
viver loucuras, entregar-me a elas como se nunca houvesse amanhã,
muitas vezes sem expectativas, sem medos, sem reflectir muito nas
possíveis consequências, de forma espontânea.
Gosto de brincar com possibilidades.
Com o que poderia ter sido, como seria se tivesse tomado decisões
diferentes, de brincar com os presentes alternativos e universos
paralelos. Gosto de pensar que o número de cenários e rumos
diferentes que a vida pode tomar, é tanto quanto o número de
decisões e caminhos a seguir com que nos deparamos: infinitos! Faço
escolhas, mas gosto de imaginar como teria sido se tivesse feito
aquela escolha, e não esta? E aquela outra, e aquela? Onde me teria
levado, onde estaria agora, como seria agora? Nunca em tom de
arrependimento ou de querer voltar atrás e mudar as coisas, mas
sempre num prazer que me dá brincar com o desconhecido. Dá-me gozo
encarnar personagens, viver em filmes, fazer filmes da minha vida, da
que é e da que poderia ter sido, de viver na minha “wonderland”,
como muitos dizem.
Muitos me “acusam” de ser ingénua.
Louca, irreflectida, que ajo sem pensar muito nas consequências, que
talvez devesse estar menos iludida e talvez pensar melhor antes de
agir e embarcar em aventuras sem destino previsto ou imprevisível.
Que deveria viver mais no mundo real e menos na wonderland. Mas...
imprevisível, aventura, riscos, sim, e daí? Que seria da vida feita
de previsibilidade? De ficar onde é e sempre foi confortável, ao
que se está habituado, e não explorar mais para além disso? Qual o
mal de viver num filme ou fazer na vida um filme, ter um próprio
mundo, um mundo só nosso, onde de vez em quando queremos entrar,
como um escape da realidade para a qual e com a qul acordamos todos
os dias? Não compreendo esta perspectiva, conformista e conformada,
que muita gente tem face à vida, que afinal, é só uma, só a
vivemos uma vez, e ninguém a pode viver por nós. Não há espaço para pensar "é isto, a vida é isto, tough up for life!", em vez disso, há espaço para pensar "não,não pode ser assim. tem de ser mais do que isto. tem de haver mais. vou descobrir mais. vou viver mais". Nem todos compreenderão esta minha perspectiva; porque tomo determinadas decisões,
porque vou a determinados sítios, faço determinadas coisas, tenho
determinados hábitos, dou-me com determinadas pessoas; não
compreendem que por vezes preciso fugir, fugir da vidinha normal, das
pessoas normais, que não me despertam o mínimo interesse, com as
quais muitas vezes faço um esforço descomunal para manter uma
conversa de circunstância e poder arranjar uma desculpa para me
livrar daquilo, dos sítios comuns, das conversas mais do que
conversadas; não compreendem porque gosto tanto de ter sempre um
escape, um fuga, umas férias que não precisam ser físicas, podem
ser dentro da minha mente, na minha wonderland, e no filme em que
vivo; não entendem a minha sede de ir sempre mais além, explorar
novos campos, viver de forma intensa e levar tudo ao limite.
Sim, eu não conseguiria viver sem
emoções fortes. Sem fazer das coisas mais pequenas, coisas enormes,
sem fantasiar constantemente, sem brincar com os meus pensamentos e
senti-los de forma tão absorvente.
"there are certain things in life where you
know it's a mistake but you don't really know it's a mistake because the
only way to really know it's a mistake is to make the mistake and look
back and say 'yep, that was a mistake.' So really, the bigger mistake
would be to not make the mistake, because then you'd go your whole life
not knowing if something is a mistake or not."
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
A importância da Gratidão.
"A gratidão aumenta o seu êxito exponencialmente, pois toda a gratidão constitui uma emoção de elevada energia. Escreva todos os dias num livro de gratidão ou agenda diária, a gratidão que sente pelo que é bom e pelo que não é assim tão bom. O que não é tão bom está simplesmente a indicar onde é necessário colocar mais pensamento e acção. Como tal, considere qualquer obstáculo como boas notícias, sinal de que está a avançar. Esteja atento à emergência de antigos padrões (que causam as tais coisas menos boas) e mude-os à medida que avança. (...)
A gratidão é um sentimento expansivo que abre a janela da alegria e da manifestação. Esteja grato pela luz do sol, pelas aves que cantam, pelo seu lar, as suas competências, as pessoas especiais da sua vida. Pergunte a si próprio 'por que coisa estou grato neste momento'? (...)"
Devo admitir que sempre detestei livros de auto-ajuda, todos os que tentei ler ou comecei a ler causavam-me repulsa. Apesar deste livro não ser considerado "auto-ajuda", a forma como algumas coisas são escritas faz mesmo lembrar um livro de auto-ajuda. No entanto, devo dizer que este livro é... diferente. Tem-me ajudado, de facto, a encarar as coisas de forma diferente, quando eu acho que nada é bom.
Ultimamente, por exemplo, achava que tinha andado numa onda de azar, porque num espaço de duas semanas, coisas menos agradáveis aconteceram. No entanto, tenho de admitir que são mais, muitas mais, e lembro-me de tantas que nem consigo lembrar-me de todas, as coisas pelas quais devo estar grata. Mas claro que tendemos sempre a focar-nos no que não corre exactamente como queremos, do que naquilo que já está a correr super bem, ou até melhor do que alguma vez esperámos. No fim, cheguei à conclusão de que até estes "pequenos azares" que achava que estava a ter, se tornaram em coisas boas, ou em coisas que me permitem ir atrás de coisas melhores, ou coisas que significam que coisas melhores estão a acontecer neste exacto momento, e outras melhores estão para vir. Porque, aliás, se é azar ou sorte, somos nós que definimos, pela forma como olhamos para esse "azar" ou para essa "sorte".
Sim, sou pessoa de acreditar em Karma, em energias, no poder da mente, das palavras e da visualização, e já tive muitas provas de que realmente funciona, se quisermos. O mundo é apenas aquilo que percepcionamos, aliás, o mundo só existe porque o percepcionamos: será que o mundo, tudo o que conhecemos, tudo o que está à nossa volta, existiria sem alguém para o percepcionar?
Voltando à questão da gratidão: se há coisa pela qual estou grata neste momento e sempre estarei, é mesmo pelas oportunidades que a vida sempre me deu (a vida, e as pessoas que se cruzaram no meu caminho), e a minha capacidade de não deixar passar nenhuma oportunidade que vejo que me faça crescer enquanto pessoa, e que me faça, a cada dia que passa, uma pessoa mais feliz do que aquilo que já sou.
A gratidão é um sentimento expansivo que abre a janela da alegria e da manifestação. Esteja grato pela luz do sol, pelas aves que cantam, pelo seu lar, as suas competências, as pessoas especiais da sua vida. Pergunte a si próprio 'por que coisa estou grato neste momento'? (...)"
Devo admitir que sempre detestei livros de auto-ajuda, todos os que tentei ler ou comecei a ler causavam-me repulsa. Apesar deste livro não ser considerado "auto-ajuda", a forma como algumas coisas são escritas faz mesmo lembrar um livro de auto-ajuda. No entanto, devo dizer que este livro é... diferente. Tem-me ajudado, de facto, a encarar as coisas de forma diferente, quando eu acho que nada é bom.
Ultimamente, por exemplo, achava que tinha andado numa onda de azar, porque num espaço de duas semanas, coisas menos agradáveis aconteceram. No entanto, tenho de admitir que são mais, muitas mais, e lembro-me de tantas que nem consigo lembrar-me de todas, as coisas pelas quais devo estar grata. Mas claro que tendemos sempre a focar-nos no que não corre exactamente como queremos, do que naquilo que já está a correr super bem, ou até melhor do que alguma vez esperámos. No fim, cheguei à conclusão de que até estes "pequenos azares" que achava que estava a ter, se tornaram em coisas boas, ou em coisas que me permitem ir atrás de coisas melhores, ou coisas que significam que coisas melhores estão a acontecer neste exacto momento, e outras melhores estão para vir. Porque, aliás, se é azar ou sorte, somos nós que definimos, pela forma como olhamos para esse "azar" ou para essa "sorte".
Sim, sou pessoa de acreditar em Karma, em energias, no poder da mente, das palavras e da visualização, e já tive muitas provas de que realmente funciona, se quisermos. O mundo é apenas aquilo que percepcionamos, aliás, o mundo só existe porque o percepcionamos: será que o mundo, tudo o que conhecemos, tudo o que está à nossa volta, existiria sem alguém para o percepcionar?
Voltando à questão da gratidão: se há coisa pela qual estou grata neste momento e sempre estarei, é mesmo pelas oportunidades que a vida sempre me deu (a vida, e as pessoas que se cruzaram no meu caminho), e a minha capacidade de não deixar passar nenhuma oportunidade que vejo que me faça crescer enquanto pessoa, e que me faça, a cada dia que passa, uma pessoa mais feliz do que aquilo que já sou.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Da importância de estabelecer objectivos claros.
"Anotar objectivos constitui um dos modos mais concretos de dar início à manifestação dos mesmos, pois a sua mente está directamente unida ao seu corpo e um registo físico fixa-os nos seus ficheiros de armazenamento inconscientes. (...) A acção é a ponte entre os sonhos e a realidade. Pode ser desconfortável durante algum tempo,mas nem sempre é confortável crescer, por isso acolha esse sentimento. (...) As pessoas bem-sucedidas são exactamente iguais a si, excepto pelo facto de possuírem uma estratégia diferente. Planeiam e empenham-se no seu plano, na expectativa do êxito, prontas a mudar e a adaptar-se à medida que prosseguem. As pessoas bem-sucedidas cometem 'erros' com frequência, e utilizam-nos como feedback para lhes mostrar aquilo que necessitam de saber e que não saberiam de outro modo.Com efeito,quanto mais rápida e frequentemente for pela via incorreta, mais rapidamente poderá obter resultados extraodinários! (...) Para conseguir realmente que as coisas sucedam, convém estabelecer o seu rumo em direcção a um objectivo ou local específicos. (...)"
Os meus objectivos de vida (não estão por ordem de prioridade)
É importante começar a agir AGORA. Já tinha dito, anteriormente, que a minha vida precisava de mudanças, drásticas, e que este ano, este meu regresso (regresso em muitos mais sentidos para além daquele de ter simplesmente voltado (link)), foi uma realização para definir que mudanças são essas (link), que objectivos são esses, que planos de acção devem ser tomados, por que pequenos passos posso começar, já hoje. Sinto-me bem mais elucidada, consciente, focada naquilo que quero e pronta para realizar essas mudanças.
Os meus objectivos de vida (não estão por ordem de prioridade)
- ser rica / viver sem preocupações financeiras
- viajar MUITO (um país/cada mês)
- viver com o amor da minha vida - ainda que isso implique mudar de país, criar um novo estilo de vida, aprender uma língua nova
- ser independente aos níveis: financeiro, psicológico, emocional
- concretizar os meus projectos, que surgem sempre com as novas ideias que tenho constantemente
- ter sempre saúde
- continuar a ter sempre as minhas próprias ideias
- continuar a ser uma pessoa que se adora a si mesma, que se auto-elogia múltiplas vezes por dia, que tem confiança em si mesma, que pode e consegue tudo o que quer se fizer por isso - o melhor sentimento!
- fazer uma diferença positiva na vida das outras pessoas, sempre as elogiando como me elogio a mim mesma , relembrando-as de como são pessoas fantásticas
- deixar a minha marca no mundo
- auto-realização.
É importante começar a agir AGORA. Já tinha dito, anteriormente, que a minha vida precisava de mudanças, drásticas, e que este ano, este meu regresso (regresso em muitos mais sentidos para além daquele de ter simplesmente voltado (link)), foi uma realização para definir que mudanças são essas (link), que objectivos são esses, que planos de acção devem ser tomados, por que pequenos passos posso começar, já hoje. Sinto-me bem mais elucidada, consciente, focada naquilo que quero e pronta para realizar essas mudanças.
sábado, 24 de novembro de 2012
Tempo de Mudanças – drásticas // Mudanças Precisam-se
Sempre que penso em que ponto se encontra a minha vida neste
momento, sempre que páro para reflectir, sobre o passado, o presente e o futuro
– e faço-o muitas vezes - o meu referencial é o ano que passei em Amesterdão. É
sempre como era antes e como é agora, depois. É sempre antes-Amesterdão e
depois-Amesterdão. E, geralmente, tende sempre a ser uma comparação negativa,
que voltar foi mau, foi um passo gigante atrás na minha vida depois de ter
vivido, experienciado e crescido tanto, que é uma re-adaptação, e até mesmo que
significa voltar ao normal, voltar a ser quem era e a viver a vida que vivia, o
que tem uma conotação menos boa, porque, lá está, o ano em Amesterdão foi um “upgrade”
à minha pessoa em todos os sentidos possíveis e imaginários.
Porém, ultimamente, tenho-me deparado com uma perspectiva um
pouco diferente dessa. O facto de ter voltado não tem de significar um passo
atrás, mas sim apenas a segunda parte do processo de mudança que se iniciou há (um
pouco mais de) um ano. Que a evolução é contínua, que as descobertas e as
aprendizagens continuam a ser constantes, que a cada dia que passa desperto
mais e melhor, que estou mais focada e mais consciencializada do que me rodeia, e tenho mais a
certeza do que quero, e do que tenho de fazer para obtê-lo, e os meus
horizontes se abrem cada vez mais.
Sinto-me em plena fase de transformação, mas sobretudo,
sinto que a minha vida precisa de mudanças ainda maiores. Sinto esta urgência
em mudar, em ir mais longe, em fazer melhor, em perseguir o que me faz feliz,
ou o que agora acho que me irá fazer mais feliz (e mesmo se não fizer, com o
tempo irei descobrir). Tenho esta vontade imensa de continuar, uma aversão
horrorosa à estagnação, ao conformismo, ao achar que “é isto, e a vida nada
mais tem para me dar”, e “pronto, agora voltei, voltei a viver debaixo das
saias da mamã, no conforto e no quentinho, não saio mais daqui”. Que
horror!!!!!!
Uma das razões que me levam a escrever isto, entre outras, é o de que
estou farta de depender dos meus pais. Eles fazem, fizeram e fariam tudo por
mim e para me ver feliz, é certo, mas ao mesmo tempo, sinto, muitas mas mesmo
muitas vezes, que por isso mesmo eles me têm sobre controlo, de certa forma
tenho a sensação que lhes devo algo constantemente, sinto que eles acham que
podem tomar parte das minhas decisões precisamente porque me ajudaram a ser o
que sou hoje e a pensar como penso hoje. Mas na realidade, a ideia de continuar
a ser uma menina de sorte e protegida pelos meus pais, por exemplo,
aterroriza-me. Estou a detestar esta dependência, em todos os sentidos, não só
física (essa é a que quero acabar primeiro) como emocional e psicológica. Eu
amo os meus pais, mas depois de ter provado a liberdade e a independência, não
quero outra coisa. Eu amo a minha mãe, mas a voz dela cada vez me irrita mais
sempre que me pergunta se já jantei, o que vou jantar e quando vou jantar; eu
sei que ela o faz apenas por pura preocupação e até me sinto mal por dizer
isto, mas irrita-me! Penso que já tenho idade suficiente para decidir o que vou
jantar, quando vou jantar, e até se vou jantar. Eu amo o meu pai, mas cada vez
me irrita mais que ele quase me proiba de sair de casa à noite; mais uma vez,
sei que é por preocupação e amor, mas eu acho que já tenho idade suficiente
para que não me diga, todos os dias “não quero que saias à noite”. Estas são
coisas pequenas que não têm importância nenhuma, no fundo: eu acabo por jantar
quando quero e não quando a minha mãe diz, e se me apetecer, vou muito bem sair
à noite. Mas estes exemplos pequenos são coisas que se propagam para coisas,
situações e decisões maiores. O que fazer com a minha vida daqui para a frente,
agora que estou a acabar a licenciatura? Eu tenho montes de ideias e planos,
mas sou eu que decido? Claro que não. Segundo os meus pais, eu tenho de fazer
isto, isto e aquilo, assim, por esta ordem, porque é o melhor para mim, porque
eles sabem o que é melhor para mim, e porque assim é que é “bem feito”. E depois ainda me dizem que é para meu bem.
Claro que é, nunca duvidei de que eles apenas querem o meu bem, mas nesta altura
da minha vida, eu quero poder decidir o que é bom ou não para mim. Eu sei que
vou sentir falta, um dia, disto: de ter alguém que me pergunte quando vou
jantar, ou de ter alguém a quem ligar quando tenho um problema que, depois de
tentar resolver sozinha, não consegui (senti muita falta disso quando estive em
Amesterdão, de ter de me “desenmerdar” sozinha quando ainda faltava uma semana
para acabar o mês e o dinheiro já tinha ido todo, mas por uma questão de
orgulho, recusava-me a ligar aos meus pais para pedir mais). Mas por agora,
quero libertar-me disto à força toda! Estou mesmo farta, farta, desta sensação
de ter de depender dos meus pais a nível financeiro (maioritariamente, os
trabalhos que vou arranjando obviamente não dão para subsistir
independentemente a nível completo), cada nota de 10 euros que a minha mãe me
dá é uma facada no coração. Prefiro ficar com fome o dia todo e esperar por
chegar a casa para comer. Prefiro não comprar roupas novas, nada de novo.
Prefiro tudo isso a ter de pedir dinheiro aos meus pais. Dói-me mesmo. Não sei
de onde veio este orgulho todo, dantes não me importava nada, pelo contrário,
quase que exigia uma quantia considerável todas as semanas, agora, isso mudou
completamente, peço só mesmo o mínimo necessário e indispensável à
sobrevivência e é se não conseguir mesmo ganhá-lo de forma autónoma. Eu quero
MESMO perseguir a minha independência, quero MESMO deixar de ter a sensação
constante de que nada é meu , nada realmente foi ganho por mim, e que tive
tanta sorte em muitas coisas por ter os pais que tenho. É como eu digo: eu
amo-os, sei que eles me amam a mim, sei que fizeram tudo por amor, sei que
continuariam a fazer, sei que poderia ficar a viver com a minha mãe até aos 30
e ela nunca se iria importar, pelo contrário, mimava-me. Mas é isto que eu não
quero. É esta liberdade física,
financeira, e emocional, que eu quero, cada vez mais, perseguir e alcançar num
prazo máximo de 2 anos.
Se me vou dar bem? Não sei. Posso dar-me mal e chegar ao fim
do mês sem ter dinheiro para pagar a conta do gás. Mas não é esse o preço da
liberdade? Prefiro ser pobre, ter condições mínimas para viver, ter muito pouco,mas o pouco que tiver, ser meu e ter sido eu a ganhar e a construir, em vez de ter tudo e esse tudo ter sido dado. Como tenho agora, aliás: uma casa fantástica com um andar inteiro só para mim, todas as contas pagas ao fim do mês e de vez em quando umas prendinhas monetárias dos meus pais, mas que no fundo nada é meu. Sim, claro, vou aproveitar as regalias enquanto posso, enquanto estou a estudar, pelo menos na Licenciatura, tenho aproveitado porque sei que um dia farei o mesmo com os meus filhos, mas também sei que um dia eles irão querer libertar-se, e é isso que está a acontecer comigo agora.: eu quero libertar-me porque todas estas regalias, que tenho sempre tido, fazem-me sentir dependente e, de certa forma, até um pouco aproveitadora.
Eu quero mais e mais e mais, a cada dia que passa, ir, sair,
explorar, sair debaixo das asas dos meus pais, correr atrás da minha independência,
bater com a cabeça no chão, cometer erros estúpidos, arrepender-me, cair,
levantar-me de novo, tornar-me numa pessoa mais adulta e melhor.
Quero poder mostrar aos meus pais como me tornei uma pessoa independente, como eles podem contar comigo e com a minha ajuda em vez de ser sempre ao contrário, mostrar que está na hora de retribuir tudo o que fizeram por mim.
Esta foi uma das principais realizações desde que voltei a
Portugal. Nunca tinha pensado desta forma, comecei agora. Considero uma mudança
positiva, uma mudança de pessoa que se transformou e cresceu, e ainda quer
crescer mais.
É como digo: ter voltado não tem de ser necessariamente mau.
Claro que toda a novidade e loucura da vida Erasmus acabou, claro que agora a
minha vida é normal, mas permitiu-me reflectir acerca de como quero que ela
seja daqui para a frente. E, ao contrário do que aconteceu imediatamente a
voltar, agora, sim, tenho umas ideias bem mais claras e até planos de acção bem
definidos. Mas, o mais importante, estou cheinha de vontade e motivação dentro de mim. Estou muito mais focada e empenhada em "moving forward" do que alguma vez estive.
Estas mudanças de forma de pensar manifestam-se em muitos outros aspectos, sobre os quais vou escrevendo, mas neste caso específico eu, pela primeira vez, estou seriamente a considerar "sair de casa". Ou "sair da casca".
Estas mudanças de forma de pensar manifestam-se em muitos outros aspectos, sobre os quais vou escrevendo, mas neste caso específico eu, pela primeira vez, estou seriamente a considerar "sair de casa". Ou "sair da casca".
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Experiências que mudaram a minha vida #4
I feel so in contact with myself. My senses are so keen, like rubbing my hands against each other or even feeling the pen slide on this piece of paper while I write, or feeling my heart beating and every inch of my body so full of LIFE, is everything such a new and pleasant experience. I, now, love to be myself, love to have my spirit on my body, just like it is.
"And it's just piece, like a zero-zero-zero coordinate, balance, just feel the balance, of the natural state we're in, that has such a happy connotation."
Escrito algures no Jardim da Estrela, a 19/11/12
"And it's just piece, like a zero-zero-zero coordinate, balance, just feel the balance, of the natural state we're in, that has such a happy connotation."
Escrito algures no Jardim da Estrela, a 19/11/12
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