"De repente, apetece-te dançar. O teu corpo simplesmente move-se, sem teres qualquer controlo sobre ele. Não consegues estar parada, mas não é num mau sentido. É mesmo porque o teu corpo se move, dança, quase que sozinho, de todas as formas possíveis... Vais ao chão, ao tecto, às paredes e a tudo o que encontras pelo caminho. É o corpo a expressar o quão feliz te sentes. Não é uma inquietação de nervosismo, mas sim de sensação de LIBERDADE. Como se o teu corpo se misturasse com as partículas de ar, numa fusão perfeita!
Sentes-te altamente conectada com o resto do mundo. Apetece-te abraçar e beijar o mundo. Todos são os teus maiores amigos. A noção de espaço pessoal, de alguma distância, desaparece. Não consegues mais distinguir entre pessoas que conheces, e pessoas que não conheces. A um certo ponto, já correste a tudo, já falaste com toda a gente, já abraçaste e beijaste toda a gente que viste à tua frente... rapazes, raparigas, altos, baixos, lindos, feios, gordos, magros, alternativos, hippies, betinhos... Não te importa mais, sabes que as pessoas que estão à tua frente são seres humanos, e só consegues olhar para o coração delas.
Dizes que adoras e amas toda a gente, porque, de facto, é o que sentes. O teu bom senso e "judgment" (consciência) está lá, intacto: tu sabes perfeitamente o que estás a fazer, porque estás a fazê-lo, a única coisa que muda, é que parece certo do que o "normal"; há uma libertação total de regras sociais, de "constraints", e isso é tão bom! Falar, conversar, abraçar, beijar, tocar, dizer que adoras as pessoas, mesmo pessoas que não conheces de lado nenhum, parece ser a coisa mais acertada a fazer. E é um quentinho bom para o coração...
No fim, olhas para o relógio e vês que passaram 6 horas. Estiveste a dançar por 6 horas ininterruptamente, mas sentes-te tudo menos cansada. A última vez que olhaste para o relógio eram 00h, e agora são 6h, mas para ti, que perdeste toda a percepção de tempo, só passou meia-hora, e a noite ainda é uma criança! O teu corpo deixou de ser matéria, de algo consistente, deixou de sentir o peso da gravidade, e agora sentes-te literalmente a voar. Consegues dar saltos de 1 metro e meio, e consegues ficar a voar nesse salto para sempre, se quiseres, porque o teu corpo é feito de qualquer coisa entre algodão-doce e algum fluído. A tua cara dói de sorrires por tantas horas seguidas, e o teu coração, esse sente-se feliz como nunca se sentiu.
A principal sensação foi: amor em estado puro.
Foi das experiências mais fantásticas de sempre. :)"
Algures em 2011
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Crescimento.
É um processo contínuo e fluído. É um processo, e, como a palavra assim o indica, é para sempre.
Nunca caia eu no erro de pensar que cresci tudo o que tinha para crescer, ou que sei tudo o que tinha para saber. Nesse dia, estarei morta de alma.
Nunca caia eu no erro de pensar que cresci tudo o que tinha para crescer, ou que sei tudo o que tinha para saber. Nesse dia, estarei morta de alma.
Os (meus) valores mais importantes.
Se nem sempre se obtém aquilo que se deseja, uma das razões é porque os objectivos que definimos na nossa vida não estão de acordo com os valores que são centrais para nós. Quando existe uma harmonia entre os dois, há lugar a uma sensação de bem-estar, satisfação, orgulho, plenitude, um estado de graça; quando esta harmonia não se verifica, quando os objectivos são completamente dissonantes dos valores que defendemos, então experiencia-se uma grande falta de ajustamento, um sentimento a roçar no de culpa e de sentir que algo não está bem.
Há, então, que mudar. Há que reflectir. Há que ter um diálogo interior, ouvir os instintos, definir o que realmente importa para nós. Que valores defendemos. E, sobretudo, de que forma poderemos definir objectivos de vida e formas de viver a vida, de forma mais clara e em consonância com os valores que nos são mais centrais e fundamentais.
Aqui ficam os valores que, após reflexão, cheguei à conclusão serem aqueles que devem guiar a minha definição de objectivos de vida:
Aceitação, Amizade, Amor/Romance, Auto-estima, Beleza, Comunicação, Confiança, Crescimento, Criatividade, Deixar uma marca/Fazer uma diferença, Dinheiro/luxo, Divertimento, Energia, Equilíbrio/harmonia, Espiritualidade, Êxito, Família, Felicidade, Gozo, Independência, Individualidade, Inovação, Intimidade, Liberdade, Maturidade, Originalidade, Paz de espírito, Positivismo, Prazer, Realização, Reconhecimento, Riqueza, Satisfação, Sexo, Talento. (estão por ordem alfabética pois retirei-os de uma lista infindável que encontrei num livro).
Creio que uma reflexão sobre aquilo que é, realmente, importante pra nós, é meio caminho andado para atingir a plenitude, o equilíbrio, a paz, e, sobretudo, pelo menos comigo, um "caminho a seguir".
Há, então, que mudar. Há que reflectir. Há que ter um diálogo interior, ouvir os instintos, definir o que realmente importa para nós. Que valores defendemos. E, sobretudo, de que forma poderemos definir objectivos de vida e formas de viver a vida, de forma mais clara e em consonância com os valores que nos são mais centrais e fundamentais.
Aqui ficam os valores que, após reflexão, cheguei à conclusão serem aqueles que devem guiar a minha definição de objectivos de vida:
Aceitação, Amizade, Amor/Romance, Auto-estima, Beleza, Comunicação, Confiança, Crescimento, Criatividade, Deixar uma marca/Fazer uma diferença, Dinheiro/luxo, Divertimento, Energia, Equilíbrio/harmonia, Espiritualidade, Êxito, Família, Felicidade, Gozo, Independência, Individualidade, Inovação, Intimidade, Liberdade, Maturidade, Originalidade, Paz de espírito, Positivismo, Prazer, Realização, Reconhecimento, Riqueza, Satisfação, Sexo, Talento. (estão por ordem alfabética pois retirei-os de uma lista infindável que encontrei num livro).
Creio que uma reflexão sobre aquilo que é, realmente, importante pra nós, é meio caminho andado para atingir a plenitude, o equilíbrio, a paz, e, sobretudo, pelo menos comigo, um "caminho a seguir".
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Dar e receber.
Deixar que os outros nos ajudem, ou dêem algo -
receber - não é um acto egoísta ou aproveitador, é sim dar a
oportunidade a outra pessoa de experienciar o mesmo prazer que nós
sentimos ao ajudar ou dar algo a alguém. Então, de certa forma, estar
aberto a receber é, também, uma forma de dar.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
É de mim.
Gosto de ter as coisas sob controlo. Não tenho medo de o perder, mas mesmo quando não tenho as coisas sob-controlo, de alguma forma tenho a confiança em mim mesma de que vou voltar a tê-las, e de que tenho sob controlo o facto de saber controlar as coisas, e que por isso as coisas estão sempre sob controlo, mesmo quando não estão.
É complicado, eu sei... Mas está tudo sob controlo. Mesmo no meio deste pequeno caos.
É complicado, eu sei... Mas está tudo sob controlo. Mesmo no meio deste pequeno caos.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Coisas que se devem fazer todos os dias
- elogiar alguém; sorrir a um desconhecido num local público; dizer a alguém porque o/a admiramos e o quanto gostamos dele/a, ou o quão importante esta pessoa é para nós
- fazer pausas frequentes para respirar, ao longo do dia; entrar em contacto connosco mesmos, sobretudo na hora de tomar decisões (podem ir desde a mais importante decisão, à mais corriqueira e do quotidiano); ouvir-nos a nós próprios, primeiro, antes dos outros, o que realmente queremos e precisamos, o que realmente importa para nós naquele momento, e não para os outros
- reforçarmo-nos a nós próprios positivamente, por realizarmos tarefas que não queremos (obrigações) ou simplesmente por se ter feito algo de útil, productivo, bom, nesse dia; dar valor por ter feito algo que se gosta, que faz bem, ou em que simplesmente se é bom (por exemplo, tomar um banho de imersão ao fim de um dia cansativo, ou permitir-nos a nós próprios outro tipo de prazeres pessoais, isso fica ao critério de cada um)
- recordar o ou um dos momentos em que nos sentimos mais felizes e entusiasmados na vida, com os olhos fechados; tomar consciência de que esse momento está gravado nas nossas células, de alguma forma, e que sempre podemos revivê-lo, nem que seja por breves instantes; fazer isto em momentos menos bons ajuda a ultrapassá-los e torna tudo muito mais interessante
- ter uma lista de coisas que gosta de se fazer, podem ser coisas pequenas e insignificantes, e fazer uma delas por dia
- substituir palavras/expressões negativas ou de baixa energia por palavras/expressões positivas ou de elevada energia, no nosso diálogo interior, bem como no diálogo com os outros; dizer "chega a horas" em vez de "não chegues atrasado", ou dizer para nós mesmos, perante uma situação que encaremos como difícil, "isto é desafiante e uma oportunidade de crescimento, de evolução", em vez de "isto é muito difícil" (retirado do livro: O Poder das Palavras, Yvonne Oswald)
- olhar no espelho e pensar "eu sou o máximo!!!".
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
.
Estava na paragem à espera do autocarro, a ler Caim, de José Saramago,
esse grande senhor, não o senhor de que o autor fala com uma ironia, uma
crítica e um sarcasmo subtilmente geniais, mas sim esse grande senhor
que era Saramago, uma senhora com um ar simpático aparece e diz, Menina,
posso falar um pouco consigo, enquanto espera pelo autocarro, ela tinha
um ar simpático, eu acho as senhoras idosas extremamente fofinhas,
apesar de saber que era uma testemunha de jeová não disse que não, e aí
se deu o momento do dia que me vai servir de reflexão para o resto da
semana. Ela diz, Menina, acredita em deus, Não, Mas acredita nalgum
deus, Acredito no meu deus, sou espiritual, Acha que há um ser superior,
portanto, mas não sabe qual é, Sim, Mas sabe que essa entidade superior
tem um nome, Sim, Sabe qual é, Deus, Não minha querida, deus é um
título, nomes só há um, Qual, Jeová, Hm, Quero dar-lhe a ler algumas
passagens da bíblia, Está bem, e ela desfolha a bíblia, parece que sabe
as páginas de cor, de trás para a frente e de frente para trás, não leva
mais do que 2 segundos para chegar onde quer, dá-me a ler as passagens
exactamente que descrevem o que ela me queria transmitir. Ela falou
durante o tempo todo, sempre muito preocupada, Olhe o 745, não é este o
seu autocarro, Não não, digo eu, com ar de quem não está muito
preocupada, de 3 em 3 minutos ela diz, Olhe, não é este o seu autocarro,
estava ela mais preocupada do que eu, eu que não tenho pressa para
apanhar autocarro para lado nenhum, ela que acredita que eu tenho, no
fundo, um destino, eu que não sei para onde vá, ela que acha que eu vou a
algum lado. Claro que isto tem um sentido metafórico. Eu olhava para
ela e pensava para comigo mesma, Ela tem um ar tão feliz, eu tenho um ar
tão perdido, se calhar ela um dia já esteve como eu, revê-se em mim,
não sabia em que acreditar, não sabia se havia de acreditar em algo ou
se realmente havia algo para acreditar, não tinha nenhum autocarro para
apanhar, encontrou a sua resposta na bíblia, a cara dela cheia de rugas
dizem-me que muita experiência tem já, mas uns olhos brilhantes e
resplandecentes de uma criança dizem-me que acabou de ver o mundo pela
primeira vez e o acha maravilhoso, não consegue ver o mal, uma inocência
de quem acredita profundamente naquilo que diz, numa ingenuidade
profunda, feliz, uma alma completa foi o que vi naqueles olhos.
Desafiei-a, Então diga-me lá, adão e eva foi quem deu origem ao mundo e
ao que somos e conhecemos hoje, Sim querida, Eles reproduziram-se e
tiveram dois filhos, Sim querida, E depois como é que os filhos deles se
reproduziram para dar continuidade, tiveram de copular entre si, Sim,
Então mas o incesto é um pecado, Sim querida mas naquela altura não era,
não havia mais ninguém na terra, o senhor permitiu que assim sucedesse,
como ele disse, crescei e multiplicai-vos. Não a contestei mais, apesar
de achar esta uma das questões mais controversas da religião cristã, um
pecado deu origem a tudo e agora é completamente condenado. Não quis
destruir a ilusão nos olhos dela, mas resolvi desafiá-la novamente uns
minutos mais tarde, enquanto ela falava no dia do juízo final, em que
todos os maus iam morrer mas os fiéis iam ser salvos pelo senhor, e
falando em todas as catástrofes mundiais, Então acha que a história do
mundo se divide em fases, há pessoas, e depois há uma catástrofe, como a
torre de babel que destruiu uma cidade inteira ou a inundação mundial
que levou a que noé construisse a arca, e só um número limitado de
pessoas merecedoras sobrevive, Sim, Também acho. Este também acho não
foi de total concordância, devo dizer. Acredito que a terra tem destas
fases, durante milhares de anos existem civilizações, intercaladas por
grandes catástrofes a nível mundial a que ninguém, nem os bons nem os
maus, sobrevivem, depois destas surgem novas civilizações. Mas não quis
entrar por esses caminhos. Esse pensamento levou-me instantaneamente à
teoria do eterno retorno de nietzsche, tudo retorna, tudo se repete,
todos os elementos, todas as explicações, todos os acontecimentos, todas
as existências. Fiquei existencialista, senti-me tentada a perguntar,
Então, se tudo um dia vai acabar, porque estamos aqui, qual o sentido da
existência, qual o propósito de tanto sofrimento, tanta emoção, tanta
exaltação por que passamos, porquê este absurdo imenso de tudo, mas
contive-me, sabia qual seria a resposta dela, Um reino de paz e amor e
vida eterna, que jeová nos vai trazer de novo, onde não haverá pecado. O
meu autocarro chegou. Agradeci-lhe por aquele momento, ela agradeceu-me
a mim, disse, Gostei de falar consigo, é uma boa menina, talvez não
acredite ainda mas deus está a olhar para si, tenha um bom dia,
felicidades, Obrigada, para si também. No autocarro não ouvi música, não
li, vim simplesmente a pensar, Gostei da senhora, não tentou
impingir-me nada, ao contrário das outras que por aí tenho apanhado,
apenas me explicou, com a maior inocência que eu já vi na vida, aquilo
em que ela acredita profundamente, e foi por isso que não lhe disse,
Desculpe, não tenho tempo, na maior mentira do mundo, porque,
convenhamos, não tenho pressa para ir a lado nenhum, mesmo que ache que
estou sempre atrasada para tudo. Pensei, novamente, E eu, ando perdida,
talvez fosse melhor ser assim, crente, cega, ignorante, mas feliz de uma
maneira pura, apenas por saber que tenho algum destino, algo que me
espera, algo verdadeiramente superior, senti qualquer coisa no limiar da
inveja, e pergunto-me, Como posso invejar alguém cujas crenças são
contraditórias às minhas, se é que tenho algumas. É mais que certo e
sabido que a consciência é quase sinónimo de infelicidade e angústia,
quanto mais conscientes estamos mais questionamos, e quanto mais
questionamos menos respostas obtemos, e esta consciência, esta exagerada
consciência da transitoriedade da vida, passa pelo fenómeno do
conhecimento, afinal, e se queremos ir à essência da questão, foi o
conhecimento do bem e do mal que, segundo a religião cristã, trouxe o
pecado e o sofrimento ao mundo, e neste ponto não posso deixar de me
questionar, mais uma vez, e o que é isso do bem e do mal, o que define o
bem e o mal, quais os critérios, quem decidiu, como, porquê, as mesmas
questões que se aplicam a tudo o que me rodeia. Por outro lado, a
ignorância, ou ignorantia em latim, de sua definição estado da mente em
que não se formula qualquer juízo acerca de um objecto, é quase sinónimo
de felicidade no seu estado mais puro, não conhecemos o bem mas também
não conhecemos o mal, logo, não o praticamos. Ao contrário do que seria
de esperar, já que quem ouvia a forma como a senhora falava de um mundo
tão perfeito de uma forma tão convincente por ela mesma acreditar no que
dizia, pelo menos pelos mais crentes, ainda fiquei mais céptica, pensei
e repensei, Ainda estou à procura da minha resposta, uma resposta que
nunca mais vem, não a encontro, com certeza, na religião, mas oh, o que
eu dava na vida para ter cedido à vontade de fraquejar que senti
enquanto a ouvia, se isso significasse uma vida cheia de significado e
felicidade, o que eu não dava para ser ignorante, crente, e livre de
angústias existencialistas. Mas o conhecimento é daquelas coisas, é como
o vício, uma vez experimentado, já não se sabe o que é viver sem o
objecto de vício, nem se imagina como o resto das pessoas que não têm
esse vício conseguem viver. Resolvi entregar-me de novo às coisas
triviais da vida, aos pensamentos mundanos, a entregar a minha
candidatura para erasmus, ao desejo de diversão e evasão, ao prazer da
satisfação dos prazeres imediatos.
É que isto, de pensar demais, dói. Não vivo, vou sobrevivendo, tapando buracos aqui e ali com cimento de 5ª categoria, tapam uns, abrem outros.
Escrito algures em 2010.
É que isto, de pensar demais, dói. Não vivo, vou sobrevivendo, tapando buracos aqui e ali com cimento de 5ª categoria, tapam uns, abrem outros.
Escrito algures em 2010.
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