quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Do tempo.

O tempo tem uma forma muito peculiar de passar. Aliás, para passar, o tempo tem de ser. Tem de existir, e teve de ser inventado. Quem um dia teve a ideia de inventar o tempo? De medir a vivência humana desse modo, dividida em anos, meses, semanas, dias, horas...?

O tempo, para mim, é uma coisa muito estranha. O tempo sempre passa da mesma forma, mas está na nossa mente a forma como passamos o tempo. Esticar minutos, ou até mesmo segundos, que queríamos viver para sempre, assim como afogar horas, dias, semanas ou meses que queremos que passem "rápido" é, creio, uma faculdade mental que pode ser treinada. É uma arte, até.

Afinal de contas, apesar do tempo ser medível, nomeável em termos de números concretos e objectivos, milisegundos, segundos, minutos, horas... o tempo é sempre uma experiência altamente subjectiva. Uma hora tem e sempre terá 60 minutos. Mas horas houve na minha vida em que me pareceu ter bastante menos, ou bastante mais.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Um dia do ano passado.



Páro nos semáforos, uma pressa invade-me para atravessar a estrada
Nada me espera do outro lado, mas nada me prende deste: é por isso que quero ir.
Depressa, rápido, continuar, mover, para a frente, para o mais próximo futuro.
A luz vermelha nunca mais cai para verde. Os peões estão impacientes,
Os ciclistas estão impacientes,
Os condutores estão impacientes.
Não posso deixar de pensar que, ainda que seja hora de ponta
E todas as luzes da cidade me estejam a provocar uma maravilhosa sensação de bliss,
É tão ridícula a forma como as pessoas se apressam.
Querem tudo para hoje, para ontem se possível,
Vendem-se a si mesmas à rapidez de uma forma absurda.
Um momento. Apercebo-me de repente que me enquadro nestas “pessoas”.
E é assustador.
Os 2 minutos em que permaneci no semáforo à espera que o mesmo caísse
Pareceram-me meia-hora.
Mais ainda: o tempo de uma vida inteira.
Pensei para mim mesma que tenho de começar a apreciar estes pequenos momentos:
Esperar que o semáforo caia para verde, no centro de Amesterdão.
O que por si mesmo, é uma experiência.
Deixar de estar sempre à espera. Ou sempre a correr.
À espera de algo, à espera de alguém, à espera do dia.

Este dia foi o dia em que eu me tornei consciente do quão fundamental é: parar para pensar; parar e apreciar; parar e viver. Parar nem sempre é morrer. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Devaneios

Quem sou eu? Não sei, nunca soube, sempre soube, sou feita de tudo. O meu ser é feito de discordâncias enormes e gritantes. Sou demasiado incerta. Inúmeras vezes dou por mim a questionar e a ser incoerente acerca das minhas próprias crenças e opiniões. Tenho um ego irritantemente grande, procuro constantemente por reconhecimento alheio, apesar de me amar por dentro e por fora. É o que mais odeio em mim, a procura constante por me sentir importante, se pudesse livrar-me de algo na minha personalidade, seria isto. Eu não quero querer saber o que acham de mim. Nem tampouco quero que algumas opiniões alheias (não todas, obstante) seja tão importante como por vezes é. 

Sou egocêntrica, sou egoísta, e apesar de acreditar numa qualquer espécie de união entre todos os seres humanos, unidade, cooperação e ajuda, no final do dia os meus próprios interesses vêm primeiro e creio que toda a gente assim é. Sou superficial e fútil, sou materialista, adoro aparências, mas sou simultaneamente espiritual e essencial. Consigo ver a preciar felicidade pura, ecstática e intensa nas mais pequenas coisas que a vida tem para oferecer, porque tive o privilégio de a experienciar. Gosto de experimentar, gosto da ansiedade, da adrenalina, da expectativa, de fazer algo que nunca fiz. 

Sou complicada, sou simples, sou indefinível. Gosto de dar nas vistas, mas não gosto de me esforçar para tal. Antes quero ficar quieta no meu canto, ser sozinha e só, e esperar que me notem. Estou sempre à espera de algo, já me esqueci de como é não estar à espera. Não gosto de não ter um horizonte em vista, não gosto que nada seja incerto, serei para sempre uma eterna insatisfeita. Redundância? Martirizo-me por saber como hei-de me sentar a olhar para o horizonte, em vez de mergulhar neste imenso mar que se apresenta perante mim, e não descansar enquanto não "lá" chegar. Sempre um "lá" pelo qual, lá está, espero e luto sempre. É um martírio pardoxo doloroso, que faz parte do software que veio comigo, dizer a mim mesma e aos outros que tenho de parar de esperar e começar a viver, quando sei perfeitamente como fazê-lo. Vivo no presente e no futuro ao mesmo tempo, mas o meu futuro é feito de pequenos e eternos presentes, os melhores são aqueles que não planeio. O passado, esse, é um plano do qual raramente me lembro, raramente me arrependo, raramente olho para trás. Esqueci muitas das escolhas que fiz e, sobretudo, por que as fiz. Sou transparente e fiel a mim mesma e com os outros, porque sei que consigo ser tudo o que quero, tenho grande capacidade de adaptação às situações (apesar de não gostar de mudanças bruscas e frequentes, sou mais adepta da estabilidade) e auto-controlo. Sei que quem manda nas minhas emoções, motivações, ações, sou eu – ou o meu ego gigante, ou alguém que se faz passar por mim, alguém que por vezes não conheço.


Preciso ser intelectualmente estimulada. Conversas de café e palavras vazias vindas de pessoas que passam os serões à frente da televisão e nunca leram um livro do fim até ao fim, matam-me por dentro. Preciso pessoas à minha volta que me estimulem, que me ensinem, que me inspirem, que me contem episódios de vida aos quais eu diga "wow". Não é por ser má, ou injusta, ou que tenha uma mente fechada e não dê oportunidade a certas pessoas; é mais que certas pessoas estragam toda e qualquer boa expectativa e até esperança de que possa haver lugar a uma conversa minimamente interessante, quando abrem a boca. Aprendi a ter mais cuidado com o ar que me circunda, limpar o que não interessa, filtrar o melhor, e por isso talvez me possam chamar de exigente ou de conflituosa, ou de pouco dedicada ou até mesmo "desligada", quando tudo não passa de uma tentativa de me defender do que é maligno, mas sobretudo aquilo que não me interessa ou não acrescenta nada de bom à minha vida. Sou maleável, sou um rio, mas também uma estrada recta feita de alcatrão fresco. Sou indefinível e adoro redefinir-me de dia para dia. Raramente me lembro de como me defini ontem e no que concerne ao amanhã, esse, deixo sempre por definir. 

Sou, assim, livre. Livre de mim. Livre de ter de corresponder a qualquer expectativa que faça de mim mesma, porque de mim mesma espero tudo. Livre de qualquer julgamento ou obrigação moral para comigo mesma. Sou livre de mim própria porque aceitei as consequências da minha liberdade. Não gosto de ter correntes atadas às mãos, e muito menos ao pensamento. O que mais há de livre em mim, é o pensamento. Sou liberdade.

Seja como for. É sempre um tudo seja como for. Nunca é certo, nunca é errado, nunca é nada nomeável nem passível de se lhe pôr uma etiqueta. É sempre e sempre poderá ser tudo um como quer que seja, um fluído seja como for.

domingo, 30 de setembro de 2012

Voltar.

Voltar. Voltar em muitos mais sentidos do que aquele de simplesmente voltar. Voltar, muitas vezes, sem vontade nenhuma. Voltar tanto para o que sempre foi bom e maravilhoso, como para tudo o que era e continua a ser de menos bom, coisas das quais fiz uma pausa, sem pensar na volta. Nesta volta.

Voltar as costas, voltar uma página.Voltar ao antigo, ao que era, ao que já foi, e tentar que seja algo diferente do que era antes, de presente e de futuro. Voltar a focar-me. Voltar a encontrar o ponto de equilíbrio que tantas vezes me dá a sensação que perdi. Voltar e tentar encontrar o meu lugar no mundo, a minha posição nesta vida, e para onde quero ir, depois de ter partido e voltado, e realizado que nunca realmente soube qual esse lugar no mundo a que pertenço.

Voltar a pensar (demais). Voltar a sentir que já não tenho mais escape ou fuga da minha própria mente, que funciona constantemente e nunca me deixa ter um momento ou outro de paz ou mesmo clareza. Voltar a  escrever, porque quando tudo dentro de mim é caos, a sensação de controlo torna-se um pré-requisito para manter a sanidade mental.

Enfim, voltar. Voltar, retornar, continuar, recomeçar. Eu, estou de volta, agora por inteiro, feliz ou infelizmente, dependendo das ocasiões...

Mas estou de volta. Assim. Por aqui.


sábado, 18 de junho de 2011

:)


Well I wish there was someone
Well I wish there was someone to love me
When I used to be someone
and I knew there was someone that loved me
as I sit here frozen alone
even ghosts get tired and go home
as they crawl back under the stones

And I wish there was something
please tell me there's something better
and I wish there was something more than this
Saturated loneliness

and I wish I could feel it
and I wish I could steal it
abduct it, corrupt it
but I never can, it's just
Saturated loneliness

Does the silence get lonely
Does the silence get lonely
Who knows?
I've been hearing it tell me
I've been hearing it tell me, "go home"
'cause the freaks are playing tonight
they packed up and turned out the lights

And I wish there was something
please tell me theres something better
and I wish there was something more than this
Saturated loneliness

and I wish I could feel it
and I wish I could steal it
abduct it, corrupt it
but I never can, it's just
saturated loneliness

and the bathwaters cold
and this life's getting old

and I wish I could feel it
and I wish I could feel it
and I wish I could steal it
abduct it, corrupt it

and I wish I could feel it
and I wish I could steal it
and I wish I could feel it
abduct it, corrupt it
but I never can,
I never can
never can
never can
never can

terça-feira, 14 de junho de 2011

Waking Life - um filme em estado puro #5

"They say that dreams are only real as long as they last. Couldn't you say the same thing about life?"

"There's only one instant, and it's right now. And it's eternity."

"The worst mistake that you can make is to think you're alive when really you're asleep in life's waiting room."


Brilhante.