quinta-feira, 26 de maio de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

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"Vamos fazer de conta que isto nunca aconteceu, podia começar assim. Como um contrato verbal celebrado entre todos nós. Como se não fosse preciso dizer mais nada a partir deste momento para a vida começar a uir espontaneamente e cada um de nós encontrasse o seu lugar nela. Sem cláusulas. Vamos fazer de conta que nunca vimos nada. Vamos fazer de conta até não precisarmos de fazer de conta, até não pensarmos realmente no que vimos até aqui, até este momento se tornar inaugural, até reaprendermos novamente a capacidade de olhar para as coisas, de nos perdermos com as coisas até nos encontrarmos com elas. Repito. Vamos fazer de conta que isto nunca aconteceu. Continuo. Proponho esquecer a repetição como lixo, proponho eliminar a repetição das coisas como cópia do original. Eliminar toda a cópia que cega, eis um principio. O eterno original, nada mais pode existir fora do original. Isto exige esforço, exige a perda do hábito de "passarmos os olhos pelas coisas", como se olhá-las fosse já nos escaparmos delas, como se a possibilidade de encontrá-las fosse já a certeza de perdê-las."

domingo, 22 de maio de 2011

Principezinho XI - O essencial é invisível para os olhos...


E, claro, agora já passaram seis anos… nunca contei esta história a ninguém. Quando voltei, os meus colegas tiveram uma grande alegria por eu não ter morrido. Eu estava triste, mas dizia-lhes “é do cansaço…”
Depois, fui-me consolando. Enfim… quase. Mas tenho a certeza absoluta de que o principezinho voltou para o planeta dele. (…) E, à noite, gosto de me pôr a ouvir as estrelas. São mesmo quinhentos milhões de guinzinhos…

Mas passa-se uma coisa extraordinária. Como me esqueci de pôr a correia no açaimo e como, sem correia, o principezinho nunca se pode ter servido dele, ando sempre com uma dúvida: a ovelha terá ou não comido a flor?

Umas vezes penso: “Claro que não! O principezinho põe a flor todas as noites debaixo da redoma de vidro e, de dia,não tira os olhos da ovelha…” E fico feliz. E todas as estrelas se põem a rir baixinho.

Outras vezes, penso: “Uma distracção e basta… se calhar, um dia, o principezinho esqueceu-se da redoma de vidro… ou a ovelha escapou-se-lhe de noite, sem fazer barulho…” E todos os guinzinhos se transformam em lágrimas!

Que grande mistério! Vão ver que também para vocês, que gostam do principexinho, nada no Universo fica na mesma se algures, não se sabe bem onde, uma ovelha que nós não conhecemos tiver ou não comido uma rosa…

Ora olhem para o céu e pensem: “A ovelha terá ou não comido a flor?” Vão ver como tudo muda…

E nunca nenhuma pessoa crescida há-de entender como isso é importante!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Principezinho X - O essencial é invisível para os olhos...


(…)

- O que é importante não se vê…

- Pois não…

- É como com a flor. Quando se ama uma flor que está plantada numa estrela, é bom olhar para o céu. Todas as estrelas ficam floridas…

- Pois ficam…

- E é como a água. A que tu me deste de beber parecia uma música, por causa da roldana e da corda… Lembras-te?... Era tão boa!

- Pois era...

- Daqui a tempos, quando estiveres outra vez em casa, vais-te pôr à noite a olhar para as estrelas. A minha é pequenina demais para ser ver daqui e eu ta poder mostrar. Mas é melhor assim: para ti, qualquer estrela vai ser a minha estrela. Vais gostar de olhar para as estrelas todas… todas elas passam a ser tuas amigas.

(…)

- As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para os viajantes, as estrelas são guias. Para outros, não passam de luzinhas. Ainda para outros, os cientistas, são problemas. Para o meu homem de negócios, eram outro. Mas todas essas estrelas estão caladas. Tu, tu vais ter estrelas como mais ninguém…

- isso quer dizer o quê?

- à noite, vais-te pôr a olhar para o céu e, porque eu moro numa delas, porque eu me estou a rir numa delas, então, para ti, vai ser como ser todas as estrelas se rissem! Vais ser a única pessoa do mundo que tem estrelas a rir!

Voltou a rir.

- E quando estiveres consolado (afinal acabamos sempre por nos consolar), vais ficar contente de me teres conhecido. Vais ser sempre meu amigo. Vai-te apetecer rir comigo. E, às vezes, sem mais nem menos, vais abrir a janela, só por ser bom… E os teus amigos vão ficar espantados por te verem a olhar para o céu e a rir. Mas tu dizes-lhes: “Pois é! As estrelas dão-me sempre vontade de rir!” E eles vão ficar a pensar que não estás bom da cabeça. Bela partida a minha…

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Principezinho IX - O essencial é invisível para os olhos...


“- Os homens bem se encafuam dentro dos comboios, mas já não sabem do que andam à procura – disse o principezinho. – Andam sempre à roda.”

(…)

- Os homens da tua terra são capazes de plantar cinco mil rosas no mesmo sítio… - disse o principezinho. – E, apesar de terem um jardim com muitas rosas, não descobrem aquilo de que andam à procura… e podiam descobrir aquilo de que andam à procura numa única rosa ou num único golo de água.

- Pois era – respondi eu.

O principezinho acrescentou:

- Mas os olhos são cegos. Só se procura bem com o coração.

(…)

Quando nos deixamos cativar, é certo e sabido que algum dia alguma coisa nos há-de fazer chorar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Principezinho VIII - O essencial é invisível para os olhos



“É bom ter tido um amigo, mesmo quando se vai morrer”
“O que torna o deserto bonito é ele ter um poço escondido algures por aí… (…) o que lhes dá beleza nunca se vê!”

sábado, 14 de maio de 2011

Principezinho VII - O essencial é invisível para os olhos

- Olá, bom dia! – disse o principezinho.

- Olá, bom dia! – disse o vendedor.

Era um vendedor de comprimidos para tirar a sede. Toma-se um por semana e deixa-se de ter necessidade de beber.

- Andas a vender isso porquê?

- Porque é uma enorme economia de tempo – respondeu o vendedor. – Os cálculos foram feitos por peritos. Pouparam-se cinquenta e três minutos por semana.

- E com esses cinquenta e três minutos faz-se o quê?

- Faz-se o que se quiser…

“Eu”, pensou o principezinho, “eu cá se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, punha-me a andar muito calmamente à procura de uma fonte”.