sábado, 7 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
O Principezinho III - O essencial é invisível para os olhos...
(…) – Se eu ordenasse a um general que voasse de flor em flor como as borboletas, ou que escrevesse uma tragédia, ou que se transformasse em gaivota e se o general não executasse a ordem recebida, de quem era a culpa: minha ou dele?
- Era Vossa – respondeu firmemente o principezinho.
- Pois era. Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar – prosseguiu o rei. A autoridade baseia-se, antes de mais, no bom senso. Se um rei ordenar ao seu povo que se deite ao mar, ele revolta-se. Eu, eu tenho o direito de exigir obediência porque as minhas ordens são sensatas.
(…)
- Não tenho mais nada a fazer aqui! Disse ao rei – Vou-me embora.
- Não te vás embora – respondeu o rei, que estava tão orgulhoso por ter um súbdito – Não te vás embora, eu faço-te ministro!
- Ministro de quê?
- De… de justiça!
- Mas não há aqui ninguém para julgar!
- Nunca se sabe – disse-lhe o rei. – Ainda não dei a volta ao meu reino. Estou muito velho, não tenho espaço para uma carruagem e cansa-me andar a pé.
- Mas eu já dei a volta a tudo – disse o principezinho. – Do outro lado também não há ninguém…
- Então, julgas-te a ti próprio – respondeu o rei. – É o mais difícil de tudo. É muito mais difícil julgarmo-nos a nós próprios do que aos outros. Se conseguires julgar-te bem a ti próprio, és um autêntico sábio.
- Mas eu posso julgar-me a mim próprio em qualquer lugar. Não preciso viver aqui.
- Bom…bom… - disse o rei. – Tenho a impressão que anda por aí uma velha ratazana. Costumo ouvi-la à noite. Podes julgar essa ratazana. De tempos a tempos, condena-la à morte, e a vida dela fica suspensa da tua justiça. Depois agracia-la sempre. Como só há uma…
- Mas eu não gosto de condenar à morte – respondeu o principezinho. – Acho que me vou mesmo embora.
- Não vás – disse o rei.
O principezinho acabou os preparativos. Como não queria magoar o velho monarca, sugeriu:
- Vossa Majestade: se desejais ser pontualmente obedecido, tendes agora uma boa oportunidade de dar uma ordem sensata. Ordenai, por exemplo, que eu já aqui não esteja dentro de um minuto. As condições parecem-me as mais favoráveis…
O rei não respondeu. Primeiro, o principezinho hesitou: depois, deu um suspiro e foi-se embora.
- Faço-te meu embaixador! – apressou-se a gritar o rei.
E arvorava uns ares de grande autoridade.
“As pessoas crescidas são mesmo muito esquisitas”, foi o principezinho a pensar durante a viagem.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
O Principezinho II - O essencial é invisível para os olhos...
(…) tenho boas razões para pensar que o planeta de onde o principezinho tinha vindo era o asteróide B 612. Este asteróide foi visto ao telescópio uma única vez, em 1909, por um astrónomo turco. Nessa altura, o cientista fez uma grande demonstração da descoberta a um Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém o levou a sério por causa da maneira como estava vestido. As pessoas crescidas são assim. Felizmente, para boa reputação do asteróide B 612, um ditador turco lembrou-se de impor ao seu povo, mas impor-lhe sob pena de morte, que passasse a trajar à ocidental. O astrónomo tornou a fazer a demonstração em 1920, agora muito bem posto. E toda a gente a aceitou.
Se vos contei isto tudo sobre o asteróide B 612 e se vos confiei o número dele foi por causa das pessoas crescidas. As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falam de um amigo novo, nunca perguntam nada de essencial. Nunca perguntam “como é a voz dele? A que é que ele gosta mais de brincar? Faz colecção de borboletas?”. Em vez disso, perguntam: “que idade tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?”. Só então julgam ficar a saber quem é o vosso amigo. Se contarem às pessoas crescidas: “hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado…”, as pessoas crescidas não conseguem imaginá-la. Precisam de lhes dizer: “Hoje vi uma casa que custou cem mil contos”. Então já são capazes de a admirar: “Mas que linda casa”.
Por isso, se lhes disserem “A prova de que o principezinho existiu é que ele era encantador, é que ele se ria e queria uma ovelha. Querer uma ovelha é a prova de que se existe”, as pessoas crescidas encolhem os ombros e aconselham-vos a não serem tão crianças. Mas se lhes disserem: “O planeta donde ele vinha era o asteróide B 612”, as pessoas crescidas ficam logo convencidas e não fazem mais perguntas. As pessoas crescidas são mesmo assim. Não vale a pena zangarmo-nos com elas. As crianças têm de ser muito indulgentes para as pessoas crescidas.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O Principezinho I - O essencial é invisível para os olhos...
Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma imagem magnífica num livro sobre a Floresta Virgem chamado “Histórias Vividas”. A gravura mostrava uma jibóia a engolir uma fera.
O livro dizia que “a gibóia engole a presa inteira, sem mastigar. Depois não se pode mexer e passa os seis meses de digestão a dormir”.
Então, pensei e tornei a pensar nas aventuras da selva, peguei num lápis de cor e fiz o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1. Ficou assim:
O livro dizia que “a gibóia engole a presa inteira, sem mastigar. Depois não se pode mexer e passa os seis meses de digestão a dormir”.
Então, pensei e tornei a pensar nas aventuras da selva, peguei num lápis de cor e fiz o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1. Ficou assim:
Fui mostrar a minha obra-prima às pessoas crescidas. Perguntei-lhes se o meu desenho metia medo. As pessoas crescidas responderam “porque é que um chapéu havia de meter medo?”. O meu desenho não era um chapéu. O meu desenho era uma jobóia a fazer a digestão de um elefante. Para as pessoas crescidas entenderem, porque as pessoas crescidas estão sempre a precisar de explicações, fui desenhar a parte de dentro da jibóia. O meu desenho número 2 ficou assim:
As pessoas crescidas disseram que era preferível eu deixar-me de jibóias abertas e jibóias fechadas e dedicar-me à geografia, à história, à matemática e à gramática. E assim abandonei, aos seis anos de idade, uma magnifica carreira de pintor. Ficara completamente abalado com o insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas crescidas nunca entendem nada sozinhas e uma criança acaba por se cansar de lhes estar sempre a explicar tudo.
Escolhi, portanto, outra profissão e aprendi a pilotar. Conheci grande parte do mundo de avião (…) com um trabalho deste género tive, evidentemente, uma data de contactos com uma data de gente importante. Vivi durante anos e anos no mundo das pessoas crescidas. Vi-as bem de perto. Não fiquei com muito melhor opinião delas. Mal encontrava uma com um ar um pouco mais lúcido, fazia-lhe a experiência do meu desenho número 1, que nunca deitei fora. Queria verificar se realmente era capaz de entender alguma coisa. Mas ouvia sempre a mesma resposta: “é um chapéu”. Então, não me punha a falar de jibóias, de florestas virgens ou de estrelas. Punha-me ao seu nível. Falava de bridge, de golfe, de política e de gravatas. E a pessoa crescida ficava toda contente por ter conhecido um homem tão sensato.
domingo, 1 de maio de 2011
O Principezinho II - O essencial é invisível para os olhos...
(…) tenho boas razões para pensar que o planeta de onde o principezinho tinha vindo era o asteróide B 612. Este asteróide foi visto ao telescópio uma única vez, em 1909, por um astrónomo turco. Nessa altura, o cientista fez uma grande demonstração da descoberta a um Congresso Internacional de Astronomia. Mas ninguém o levou a sério por causa da maneira como estava vestido. As pessoas crescidas são assim. Felizmente, para boa reputação do asteróide B 612, um ditador turco lembrou-se de impor ao seu povo, mas impor-lhe sob pena de morte, que passasse a trajar à ocidental. O astrónomo tornou a fazer a demonstração em 1920, agora muito bem posto. E toda a gente a aceitou.
Se vos contei isto tudo sobre o asteróide B 612 e se vos confiei o número dele foi por causa das pessoas crescidas. As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falam de um amigo novo, nunca perguntam nada de essencial. Nunca perguntam “como é a voz dele? A que é que ele gosta mais de brincar? Faz colecção de borboletas?”. Em vez disso, perguntam: “que idade tem? Quantos irmãos tem? Quanto é que ele pesa? Quanto ganha o pai dele?”. Só então julgam ficar a saber quem é o vosso amigo. Se contarem às pessoas crescidas: “hoje vi uma casa muito bonita de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombas no telhado…”, as pessoas crescidas não conseguem imaginá-la. Precisam de lhes dizer: “Hoje vi uma casa que custou cem mil contos”. Então já são capazes de a admirar: “Mas que linda casa”.
Por isso, se lhes disserem “A prova de que o principezinho existiu é que ele era encantador, é que ele se ria e queria uma ovelha. Querer uma ovelha é a prova de que se existe”, as pessoas crescidas encolhem os ombros e aconselham-vos a não serem tão crianças. Mas se lhes disserem: “O planeta donde ele vinha era o asteróide B 612”, as pessoas crescidas ficam logo convencidas e não fazem mais perguntas. As pessoas crescidas são mesmo assim. Não vale a pena zangarmo-nos com elas. As crianças têm de ser muito indulgentes para as pessoas crescidas.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
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(O) (que) (está) (oculto) (tende) (a ) (dar) (mais) (nas) (vistas), (precisamente) (por) (tentar) (disfarçar-se). (É) (como) (dizer) (um) (“amo-te”), (sincero), ( “(muito)” ). (O) (“muito”) (quer) (esconder-se) (por) (detrás) (do) (“amo-te”) (e), (no) (entanto), (dá) (mais) (nas) (vistas), (como) (se) (chamasse), (desesperadamente), (a) (atenção). (Mas) (quando) (o) (disfarce) (é) (excessivo), (então) (ele) (torna-se) (irremediavelmente) (vulgar). (Como) (muitos (“ (muito)” ) (e) (apenas) (um) “amo-te” (descoberto), (a) (nu). (Então), (aquilo) (que) (se) (mostra), (aquilo) (que) (não) (pretende) (de) (forma) (nenhuma) (esconder-se) (nem) (exibir-se), (aquilo) (que) (quer) (simplesmente) (ser) (igual) (a) (si) (mesmo), (cai) (acidentalmente) (na) (luz) (da) (ribalta). (Como) (muitos) (“ (muito)”) (insignificantes) (e) (um) (amo-te) (sincero), (genuíno), (real), (autêntico), (espontâneo) (e) (sem) (qualquer) (intenção) (de) (se) (esconder).
(Porque) (temos) (nós) (tanta) (necessidade) (de) (procurar) (e) (nos) (focar) (naquilo) (que) (quer) (ficar) (na) (sombra), (protegido) (do) (mundo) (real)? (E) (quando) (esta) (sombra) (protectora) (se) (transforma) (em) (algo) (vulgar), (comum), (mais) (do) (mesmo), (uma) (espécie) (de) (sol) (sem) (nada) (de) (novo) (por) (baixo), (por) (cima) (ou) (pelos) (lados), (porque) (procuramos) (o) (que), (de) (repente), (ficou) (a) (descoberto) (e) (é) (agora) (algo) (verdadeiramente) (único)?
Cláudia
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Qual é o parasita mais resiliente? Uma bactéria? Um vírus? Um verme intestinal?
Uma ideia.
Resiliente. Altamente contagiosa. Quando uma ideia se apodera do cérebro, é praticamente impossível erradicá-la. Uma ideia que esteja completamente formada e seja completamente apreendida, enraíza-se.
Aqui dentro, algures.
In Inception (A Origem), Christopher Nolan.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
É isto.
- Excuse me.
- Excuse me.
- Hey. Could we do that again? I know we haven't met, but I don't want to be an ant, you know?
I mean, it's like we go through life with our antennas bouncing off one another, continuously on ant auto-pilot with nothing really human required of us. Stop. Go. Walk here. Drive there. All action basically for survival.
All communication simply to keep this ant colony buzzing along in an efficient polite manner. "Here's your change."
I don't want a straw, I want real human moments.
I want to see you. I want you to see me. I don't want to give that up.
I don't want to be an ant, you know?
I want to see you. I want you to see me. I don't want to give that up.
- Yeah. Yeah, no. I don't want to be an ant either. Yeah, thanks for kind of jostling me there.
I've been kind of on zombie auto-pilot lately, I don't feel like an ant in my mind, but I guess I probably look like one. It's kind of like D.H. Lawrence had this idea of two people meeting on a road. And instead of just passing and glancing away, they decide to accept what he calls "the confrontation between their souls." It's like, um, freeing the brave reckless gods within us all.
- Then it's like we have met.
- So it has a lot to do with choices and honoring people's ability to say what it is that they wanna see, and also consumerism and art and commodity, and if you don't like what you got, then you can send it back,
or you get what you pay for, or just participating, just really making choices. So, you wanna do it?
- Uh, yeah, yeah, that sounds really cool. I'd love to be in it, but, um ... Uh, I kind of gotta ask you a question first though. I don't really know how to say it, but, um, uh, what's it like to be a character in a dream? 'Cause, uh, I'm not awake right now. And I haven't even worn a watch since, like, fourth grade. I think this is the same watch too. Um, uh, yeah, I don't even know if you're able to answer that question, but I'm just trying to get like a sense of where I am and what's going on.
- So what about you? What's your name? What's your address? What are you doing?
- I, I, you know, I can't really remember right now. I can't really, I can't really recall that. But that's beside the point, whether or not I can dredge up this information about, you know, my address, or, you know, my mom's maiden name, or what not. I've got the benefit in this reality, if you wanna call that, of a consistent perspective.
- What is your consistent perspective?
- It's mostly just me dealing with a lot of people who are exposing me to information and ideas that seem vaguely familiar, but, at the same time, it's all very alien to me. I'm not in an objective, rational world. Like I've been flying around. Uh ... I don't know. It's weird too because it's not like a fixed state, it's more like this whole spectrum of awareness. Like the lucidity wavers. Like, right now, I know that I'm dreaming, right? We're, like, even talking about it. This is the most in myself and in my thoughts that I've been so far. I'm talking about being in a dream. But, I'm beginning to think that it's something that I don't really have any precedent for. It's, it's totally unique. The, the quality of, of the environment and the information that I'm receiving.
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