segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Supermíssimo, íssimo, íssimo, íssimo, cansaço.

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Fernando Pessoa

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Se eu ficar aqui,
Se eu ficar aqui, apenas,
Ficas comigo?
E esqueces-te do resto do mundo?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"Desenhei, porque não tinha palavras para me expressar".


Os ditos opostos não são assim tão antagónicos, ontologicamente falando.

A felicidade pode ser angústia.
O tudo pode ser nada.
A morte pode ser vida.
O prazer pode ser dor.
O fim é, definitivamente, uma espécie de começo.
Um passo em frente significa o mesmo e leva-nos ao mesmo lugar que um passo atrás.

Há, até, acredito profundamente, um ponto onde tudo, tudo, tudo quanto há no mundo, se toca.